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Março 19th, 2010
Acho o uso de mídias alternativas um troço bacana mesmo. Quando vejo uma peça como a da Jontex (foto) penso logo que os sujeitos mereceram os salários deles. Foram criativos e trataram de gastar o dinheiro do cliente com o maior aproveitamento possível, transmitindo a mensagem de forma inovadora e conquistando valor pra marca. O público-alvo da campanha da Jontex – a saber: jovens sexualmente ativos frequentadores de bares e boates cujos banheiros serviram de mídia – entende a irreverência da peça e gosta dela. Por tudo isso, o uso da mídia alternativa aqui se justifica porque também comunica, também transmite mensagem.

O que me irrita nas mídias alternativas é o abuso. Na boa: mensagem sobre a criação de um novo cartão de crédito de uma grande empresa de aviação não é pra ser impressa no guardanapo oferecido junto com o lanchinho. O troço fica errado por princípio: guardanapo = vagabundo, descartável; cartão de crédito = compromisso, confiança, relação pra vida toda.
Galera de mídia: i say you are loosing your shit here. Porque não bastasse o guardanapo que vende cartão de crédito, a bandeja de apoiar a comida na aeronave vende carro e o paninho do encosto de cabeça, seguro de vida. A mensagem? “Descubra se o futuro é cinzento mesmo ou se é você que está de olhos fechados.” Dentro de um avião, for christ sake! Imagina o bem estar que o sujeito sente em ler isso estando à trocentos pés de altura…
Grande irmão edição 357
Fevereiro 15th, 2010
Quando a rede Globo começou a anunciar que haveria uma edição do Big Brother Brasil em 2010 eu me perguntei: será possível que as pessoas ainda assistem a este programa? Pois qual não foi minha surpresa ao constatar que sim. Maior ainda foi o espanto quando entendi que o sucesso do grande irmão não se dá apenas entre o público que não tem outra opção de lazer. Pessoas com acesso a outros tipos de informação, como as que acessam e se relacionam por meio de blogs e redes sociais, também assistem ao show e (pasmem) comentam sobre ele.
Este é o tipo de coisa que me faz sentir um extra terrestre nas minhas relações pessoais (virtuais ou atuais). Não eu não sei o que se passa na Viver a Vida e muito menos qual o nome ou a orientação sexual (virtuosa ou não) dos participantes da nova edição do BBB. Ouço piadas das quais não consigo achar graça, simplesmente porque não pertenço a este contexto cultural. Consigo rolar de rir do Barney Stintson e não achar absolutamente nada de interessante no comediante da vez do Zorra Total/Comédia em pé/companhia do riso/coisa que o valha.
É possível que eu me identifique mais com um colega de Recife morando na Espanha, do que com um colega de trabalho ou vizinho, por exemplo. Não é mais como na adolescência, quando você tinha um grupo ao qual pertencia e todos preocupavam-se todo o tempo em se comportar exatamente da mesma maneira, em se vestir igual e usar o cabelo igual, gostar das mesmas músicas, livros, filmes.
Hoje, meu círculo de amizades é extremamente restrito. Eu me relaciono nestes termos apenas com uma mão cheia de pessoas. E nem dentre estas pessoas encontro alguém que espelhe exatamente as minhas preferências. Com isso fiquei mais calada, mais séria. Eu saio menos, me exponho menos e passo mais tempo comigo mesma do que com qualquer outra pessoa. Será que isso é crescer e virar gente grande?
Trilogia Millenium
Fevereiro 8th, 2010
Foi com grande excitação que deixei a sala de exibição do Kinoplex Shopping Tijuca após assistir a Sherlock Holmes. Além de me proporcionar duas horas de aventura com RDJ e Jude Law, o filme lembrou-me do quanto fui aficcionada por romances policiais na adolesência. Li absolutamente todos os livros da Agatha Christie publicados no Brasil cujos mistérios foram solucionados pelo intrépido detetive belga Hercule Poirot ou pela gentil e obstinada Miss Marple.
Ainda sob efeito do filme, entrei na livraria em busca de um livro nestes moldes. Foi quando descobri a série Millenium, do jornalista sueco Stieg Larsson. A saga gira em torno de Lisbeth Salander, uma moça de 28 anos cuja vida é envolta em uma série de mistérios e conspirações que envolvem até o mais alto escalão do Estado sueco. Ela é a heroína de Larsson, descrita como uma hacker de primeira linha, punk, bissexual, completamente pirada. O mocinho chama-se Mikael Blomkvist, um jornalista certinho dono da Revista Millenium. Mikael é especialista em jornalismo econômico e investigativo, divorciado e sempre às voltas com amantes ocasionais.
A trama tem dois mistérios centrais, um é solucionado logo no primeiro livro, Os homens que não amavam as mulheres, e o outro logo no volume seguinte, A menina que brincava com fogo. Há ainda um terceiro, A rainha do castelo de ar, que aborda os desdobramentos dos acontecimentos anteriores e mostra como as personagens lidam com as consequências.
Apesar de em alguns momentos considerar que o autor inclui personagens demais na trama, é tudo muito bem amarrado, os temas são contemporâneos e eu só consegui largar dos livros quando terminei. Foram cerca de 1700 páginas em duas semanas, carregando livro pesado pra cima e pra baixo e gastando toda a hora do almoço no trabalho com a leitura. E valeu à pena cada segundo!
Os suecos já trataram de produzir uma versão conematográfica para a trama (veja mais detalhes aqui, aqui e aqui). Li críticas ao elenco, mas eu pessoalmente gostei muito do trailler e mais ainda da moça escolhida para interpretar Lisbeth Salander. O primeiro filme foi exibido no Festival Cinematográfico de São Paulo em outubro de 2009, mas não sei se há chances da a trilogia chegar às salas de exibição do Rio.
Mais informações sobre a trilogia, acesse este documento (pdf) da Murdoch Books que traz, inclusive, uma foto do Larsson e as capas das edições suecas.







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