Você não dá a menor bola para polÃtica. Vive se esquivando com maestria de conversas que envolvem bolsa-famÃlia, cotas universitárias ou saúde pública. Aà chega o ano eleitoral e estraga tudo! É impossÃvel fugir do papo quando todo taxista, passageiro de ônibus, biriteiro e jornaleiro na cidade não têm outro assunto senão corrupção em prefeituras, estados e União.
Primeiramente, mantenha a calma! Não dê sinais de desespero ou aquela mocréia politizada que puxou esse papo brabo na mesa do bar, bem na frente do carinha que você vinha paquerando há semanas, só vai crescer pra cima de você. Preparei este pequeno tutorial que vai ajudar você a sobreviver as eleições, mantendo sua rede de relacionamentos e nÃvel de alienação intactos:
1. Alinhamento editorial
Antes de mais nada, descubra se seu interlocutor é leitor de Veja. Se a resposta for sim, ataque o governo com qualquer argumento infundado. Se for não, defenda. Para isso, use frases do tipo “Machado de Assis era negro, pobre, gago, epiléptico, órfão, também nunca freqüentou a universidade e nem por isso deixou de ser um dos maiores escritores da lÃngua portuguesa de todos os tempos e um dos maiores intelectuais brasileiros”. Works everytime…
2. Manutenção do falso engajamento
Em ano de eleição municipal, sempre aparece um engraçadinho querendo provar um tortuoso ponto de vista baseado no fato de que você não tem a menor idéia de quem votou no último pleito. Não deixe esta conversa progredir! Rebata de pronto, dizendo que para vereador e deputado estadual você sempre vota na legenda.
3. Criação da lista de candidatos e suas plataformas polÃticas
Assista ao horário eleitoral gratuito no dia dos partidecos e memorize o nome de alguns candidatos pouco convencionais. Quando for questionado sobre propostas de governo, plataformas e afins, cite alguns deles em tom de chacota, relembre divertidamente alguma caracterÃstica fÃsica mais marcante - um nariz estranho, ou um penteado exótico servem - ria alto, contagie o interlocutor com seu bom humor.
Outra boa dica é visitar sites de candidatos. Não precisa passar da página inicial. Só o Page View (e não o “page read”) já vale o tÃtulo de politizado. Fora que é diversão na certa. Você pode até acabar achando assunto para um post bacana e reforçar ainda mais seu falso engajamento!
Mas, infelizmente, nem sempre é possÃvel evitar o pior:
4. O que você acha do governo Lula?
Neste caso, não tem jeito. Se a pergunta surgir, corra. E não olhe para trás…









